VOLTAR A CANGAS

IMG_1064O passado 15 de julho, sexta feira, tivem o prazer de actuar outra vez em Cangas do Morraço. O concelho tivo a feliz ideia de homenagear as Irmandades da Fala no seu centenário, e a tal fim organizaram este concerto com a intervenção do grupo Na virada, de Miro Casabella e de mim mesmo, que já participáramos uns anos atrás na homenagem a Bernardino Graña. Foi uma noite intensa de verão, com as luzes espelhadas na ria, a vibração da música e a temperatura ideal.

Noite de encontro com Xe Freyre e Héitor Mera –amigos do Grupo Literário Leiras Pulpeiro–, com Rosa, Carminha, Emilio e Santi que chegaram de Vilagarcia, e com Miro e Xico de Carinho que partilhavam o palco comigo. Só tenho palavras de agradecimento para tod@s, e para toda a gente que por alá andava…

Contei para o concerto com a grandeza musical de Alfonso Morán, cuja relação de irmandade não evita o meu reconhecimento objectivo como um dos maiores músicos do país, e sempre é um luxo contar com ele. Pois ao fio do evento contava-lhe eu que era a quarta vez que ia cantar a Cangas. A primeira deveu de ser alá polo 98 no Canis Lupus, levado por Xe Freyre, e sentim-me um pouco –salvando todas as distâncias– como se ele fosse Virgílio e me baixasse às profundidades do Inferno. A segunda, uns aninhos despois, na Casa da Cultura, propiciada por uma chamada de Celia Torres, de Xerais, e daquela bem recordo a presença de Filo e Ramón Rocamonde, de saudosa memória nestes dias, e o collage poético-musical que eu argalhara entre John Lennon e Bernardino. A terceira vez foi no auditório, quando o “poeta do mar” cumpria 75 anos, como antes comentava… e agora esta é a quarta…, e espero seja ainda o princípio de uma grande amizade ;)

Sempre é um prazer voltar a Cangas, e mais quando os amigos estão prontos para a olhada cómplice, alegre, saudosa e solidária. Com Miro significa recuar ao 74, naquele recital da Crunha no auditório da Normal ateigado de estudantes, cantando O meu país e as que não cantava porque estavam proibidas, e Manolinho Vieites berrava: “Miro, hai que comprometer-se”. Com Xico sempre lembramos Agra, aquele nosso grupo de jazz-rock com raízes, o primeiro no país, e quando fóramos juntos ao festival de Céltigos, “passando Espasante”, que dizia o Xico. Mas voltar a Cangas é sempre re-encontrar o amigo Xe, que tenho de apresentar aos amigos de fora dizendo: este é Xe Freyre, de Mondonhedo afincado em Cangas desde há vinte anos… ainda que seja mais bem dos Moínhos… E ele corrige: eu o que sou é dos Moínhos… Mondonhedo está ao lado.

Apesar da hora, não pudem resistir à proposta de ficar uns minutinhos para um café com Xe e com Héitor, e fomos ao Canis Lupus. Quase não me lembrava, mas ao chegar confirmei que a rua era algo em pendente, e à esquerda. Nada mais entrar viu-me Lourdes, desde a barra, e dixo-me: olá, César! Incrível! Lembrava aquela vez… E não me estranha. Daquela vez, primeiro, antes do concerto, percorréramos os bares mais emblemáticos da localidade… Despois, bem passadas as once, começara o concerto (entre hora e meia e duas horas)…, e a partir daí nem sei o que pudo acontecer… Sei que estivemos cantando toda a noite, com as portas fechadas, e quando saímos era dia claro… Só foi saír, dormir uma hora na casa do Xe, e a seguir ele colhia o barco para Vigo e eu a estrada para a Crunha.

Normal. Explico-me que Lourdes me reconhecesse decontado. E fora aí polo 98. 

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