MEMORÁVEL CONCERTO DE SILVIO RODRÍGUEZ NO COLISEUM DA CORUNHA

20160408_212658Antes de conhecer o meu amigo Jose, o canario, Silvio Rodríguez era para mim apenas um nome. Mas foi na mili, no Regimiento de Transmisiones de El Pardo, onde entrei em contacto com Jose, e foi ele quem me infundiu o entusiasmo, o amor e a querenza por Silvio. Era o 79-80, e naqueles dias de revolta e de fervor antimilitar “camuflavamo-nos” como podíamos nuns meses antes do 23F. Tinha uma sensibilidade extrema para a música, para a arte, e para todo o demais. Aproveitávamos qualquer momento livre para guitarrear na “furrielería” ou no quarto dos “primeiros”, ou arredor de um “catre”, na companha de Andrés, de Alfonso, de José Luis ou de Ignacio… Todos boa gente… Nun radiocasete escoitávamos os primeiros discos de Les Luthiers…, e também o Sultans of swing de Dire Straits que acabava de aparecer. Quando tínhamos os dous permiso saíamos a Madrid e tocávamos uma ou duas horas no passo subterrâneo de Cibeles, ou em qualquer outro lugar onde pudéssemos abrir o estojo da guitarra… Uma vez passou Berlanga e ficou dez minutos a olhar. Cantávamos cousas latinoamericanas, e galegas, e canárias…, e também de Silvio.
Desde aquela Silvio foi para mim uma referência, não sempre para imitar, mas era algo que seria para sempre. Em 1981 pudem vê-lo em Santiago, no pavilhão do Sar, com Pablo Milanés, e foi bonito. Mas o concerto do Coliseum foi sublime. Esperava algo grande, com muitas dúvidas sobre o como…, sem que imaginasse o grupo esplêndido de jazz que lhe permitia outra forma de voar… Silvio com a guitarra nas mãos…, mas sem ter necessidade mesmo de tocá-la, porque a inércia e o pulso do swing…, a essência do “tres”, o piano finíssimo, a bateria firme e delicada, percutiva e enormemente complexa no seu leve impacto, o vibráfono subtil, o contrabaixo exacto, as guitarras e a frauta imensa… faziam de Silvio um levitador de alturas.
Outro dia escreverei sobre os temas. Os que cantou e os que deixou no fondo da alma. Hoje só quero lembrar aqueles dias em que aprendim a amar as canções do Silvio, com o meu amigo Jose, o canário.

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